A primeira confraria de vinhos do Brasil
fundada em 1980


O VINHO DO MÊS: ALEMANHA VITIVINÍCOLA SCHLOSS LIESER BRAUNEBERGER JUFFER RIESLING KABINETT 2012

 O mundo do vinho se abriu para a Alemanha pelas mãos dos romanos quando da expansão de seu império há cerca de 2.000 anos. As dificuldades de transporte somadas à fragilidade do vinho pela precariedade de armazenamento, fizeram com que os conquistadores optassem por produzi-lo nos próprios locais onde se estabeleciam. A região está localizada mais ao norte sendo relativamente fria, porém, integrada aos limites geográficos adequados à viticultura entre os paralelos 30 e 50 graus latitude norte. Nessas condições a atividade acabou surpreendendo os conquistadores, com vinhos muito agradáveis, muito mais leves do que os do sul. Por volta de 1803, Napoleão surgiu triunfante na região, e, com a conquista, tratou de privatizar de imediato todos os vinhedos situados à margem esquerda do Rio Reno, nascendo assim, as primeiras propriedades vinícolas que acabaram por se expandir ao longo dos rios Reno e Mosel juntamente com seus afluentes. Daí a ficarem conhecidos pelo resto da Europa não foi necessário muito tempo, acompanhando a celeridade do desenvolvimento econômico e social que sucedeu ao período de caos medieval. 

 

CLIMA E SOLO

A produção do vinho alemão está praticamente concentrada na região Sudoeste, deixando apenas duas sub-regiões para a região Leste. O clima é temperado com tendência para estações de frio acentuado, mas dois fatores fundamentais se conjugam para contornar a presumível dificuldade:

A região se beneficia de uma corrente quente do Oceano Atlântico que auxilia no aquecimento local, além da proteção ao sul da principal cadeia dos Alpes. As áreas de cultivo observam preferentemente os vales dos rios, sobretudo Reno e Mosel e seus afluentes, protegidos por montanhas, galgando encostas às vezes íngremes voltadas para o sul. Essa situação permite que a superfície dos rios reflita os raios do sol, reforçando a incidência da luz. Além disso, no outono, o vapor da água e a neblina acabam por proteger as videiras de geadas.

O solo nessa área de cultivo observa uma certa variação dependendo da região mostrando um leque bastante extenso de variedades de solos, que afinal vão acabar se identificando com cepas diferentes, originando vinhos com características próprias. Pode-se adiantar que a variação inclui a presença de solos argilosos, arenosos, calcários, rochosos (ardósia ou xisto cinzento, etc).

 

MOSEL-SAAR-RUWER

O rio Mosel serpenteia graciosamente desde Luxemburgo, ao sul de Trier, até Koblenz, onde desemboca no Reno. Nesse trajeto recebe vários afluentes mostrando em suas margens belos vilarejos e cidadezinhas, sendo famosas Bernkastell e Kues, unidas por graciosa ponte. Aí se produz um dos mais famosos vinhos do mundo, o BERNKASTELLER DOKTOR, um verdadeiro “cult-wine”. A característica principal dos vinhos do Mosel é a elegância representada por aromas complexos e sabor marcante.

 

THOMAS E UTE HAAG – Em 1885 foi construído um magnífico castelo na cidade de Lieser pertencente à área do Bernkastel. Seu criador foi o Barão Schorlemer construindo a partir de xisto cinzento muito característico da região. Ao lado desse verdadeiro monumento nasceu em 1904 a Vinícola Schloss Lieser que após passar várias vezes por diferentes proprietários, em 1997 caiu nas mãos de Thomas Haag e Ute Haag, ele originário da Weingut Fritz Haag em Brauneberg no Mosel onde praticamente se graduou acabando por enriquecer sua experiência em acurados estudos em Geisenheim. Teve como mestre um dos melhores enólogos do Mosel na figura do padre William Hague que passou para o pupilo a verdadeira noção de produção de vinho com foco no “terroir” de grande clareza. Thomas promoveu ampla reforma na propriedade reedificando uma antiga adega, salas de vinificação, salas de barricas, e, convertendo antigos estábulos em aconchegantes salas de degustação. Tudo isso sem falar no significativo aumento dos vinhedos, abrangendo atualmente cerca de 17 hectares quase exclusivamente de Riesling, uma “imensa propriedade” vinícola em termos de Mosel.

SCHLOSS LIESER BRANEBERGER JUFFER RIESLING KABINETT 2012

Do conhecido Cru Brauneberger Juffer nasceu este magnífico exemplar de Riesling alemão com toda característica que disso resulta notadamente quanto a inescapável mineralidade, leve dulçor e baixo teor alcoólico girando em torno de 7,5%. Completa a grande maciez revestida de cremosidade intensamente refrescada por notável acidez. Esse vinho observa amadurecimento de 12 meses em barricas de carvalho francês e americano.

ANÁLISE VISUAL: Intenso amarelo tendendo à palha com reflexos dourados.

ANÁLISE OLFATIVA: A fruta lidera o aroma composta por um verdadeiro desfile de pêssego, maçã, damasco, figo seco, adornado por delicado floral e toque de mel. Presente também o inconfundível aroma de petróleo ou pedra de esqueiro característico dos Riesling alemães.

ANÁLISE GUSTATIVA: Na boca a vibrante acidez excita com vigor a atividade das glândulas salivares mostrando ainda ótima cremosidade e volume compondo os componentes que traduzem a suculência que convidam novas experimentações.

 

AVALIAÇÃO: 92/100

PREÇO: R$ 120,00 – IMPORTADORA WEINKELLER – 4114-6789

 

Saúde!

Daniel Pinto – danipin@uol.com.br

 

 

 

 

 

 

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