A primeira confraria de vinhos do Brasil
fundada em 1980


Um Verão Refrescante

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Por Rodrigo Mammana

 

Após a euforia das comemorações de final de ano começamos 2015 com o tradicional  ( e cada vez mais quente) calor tropical. Por razões culturais a maioria dos brasileiros relaciona o calor do nosso verão com piscina, praia e churrasco, sempre acompanhados de um delicioso vinho branco….. Achou estranho? Pois é, invariavelmente pensamos nesse cenário com uma cerveja gelada ou caipirinhas, muitas vezes esquecendo que existe uma enorme variedade de vinhos brancos leves e frescos perfeitos para momentos como esses.

A predileção pelos vinhos tintos no Brasil é há muito tempo tema para debates, pois muitos produtores tradicionais pelo mundo não compreendem o fato de um país tão quente ter aversão aos brancos ( o nordeste brasileiro é um grande exemplo, consomem vinhos tintos encorpados sob o sol escaldante). Independente dos motivos, esse texto pretende despertar a curiosidade do leitor para que talvez descubra um rico mundo de sabores e aromas vencendo assim alguns preconceitos com uma bebida tão fantástica.

Dentro da categoria de vinhos frescos e aromáticos, existe uma uva bastante versátil que se adaptou muito bem em diversas regiões do mundo, sendo que em cada uma delas apresenta personalidade diferente: A Sauvignon Blanc.

Essa casta francesa provavelmente se originou no Vale do Loire ( onde após o cruzamento espontâneo com a Cabernet Franc acabou originando a famigerada Cabernet Sauvignon), sendo que lá se produz grandes vinhos com a casta, sendo o mais famoso deles o “Sancerre”.

Os vinhos elaborados com Sauvignon Blanc costumam ser muito aromáticos, variando de notas herbáceas, frutas tropicais ( Nova Zelândia), minerais ( Sancerre), mais maduras ( Austrália). Encontra-se ótimos exemplares também em Rueda ( Espanha), Áustria, Piemonte, Alto Ádige, Vale de Casablanca e San Antonio ( Chile) , África do Sul e Califórnia. Em Bordeaux ela é utilizada no corte com Semillon para os vinhos brancos da região. Na Califórnia existe uma interessante história sobre essa uva: O respeitado produtor Robert Mondavi renomeou a Sauvignon Blanc chamando-a de “ Fumet Blanc” devido às fracas vendas de seus vinhos dessa variedade. A manobra de marketing funcionou e tornou-se um sucesso (nessa região costuma-se utilizar o amadurecimento em carvalho, prática não usual com essa uva).

Os vinhos elaborados com a Sauvignon Blanc na maioria das vezes são produzidos sem envelhecimento em madeira, fazendo com que as notas frutadas fiquem bastante evidentes além de passarem uma sensação de leveza. Sua boa acidez reforça todo o frescor mencionado, tornando-se uma boa opção para se beber sem acompanhar comida. Aperitivos, frutos do mar, bolinhos de bacalhau, camarão frito, pastéis, empadas, etc. São inúmeras as possibilidades, e todas elas serão enriquecidas se acompanhadas com esses vinhos, tornando a experiência mais interessante e agradável.

Outra vantagem dessa casta para nós brasileiros é a grande variedade de exemplares chilenos de boa qualidade e preço baixo. Para aqueles que consideram o vinho uma bebida cara para se consumir à vontade da mesma maneira que uma cerveja, se fizer a conta perceberá que os custos podem até se equivaler. Se pegarmos duas latas de cerveja ( 350 ml cada) por R$ 10,00 estaremos consumindo 700 ml da bebida ( o mesmo que uma garrafa de vinho). Como a cerveja pilsen comum possui em média um terço da graduação alcoólica de um vinho ( 4,5% e 13,5% respectivamente), para se consumir a mesma quantidade de álcool das duas latas precisaríamos de um terço do conteúdo de uma garrafa de vinho. Existem vários vinhos Sauvignon Blanc de boa qualidade na faixa de R$ 30,00, portanto se 3 amigos dividirem uma garrafa de vinho dessa categoria iriam desembolsar os mesmos R$ 10,00. Essa simulação serve apenas para demonstrar como a idéia do vinho ser uma bebida de elite não é necessariamente correta. Exemplares da África do Sul com bom preço também são bastante comuns, além disso facilmente encontráveis em supermercados.

Os Sauvignon Blanc da Nova Zelândia são mais caros, porém uma experiência e tanto. Várias vezes os servi para amigos não muito habituados com vinhos e despertou imediata admiração. Eles são muito “ perfumados”, sendo que aromas de abacaxi, maracujá e manga são tão claramente identificáveis que arrancam suspiros da maioria.

Os Sancerre costumam ser mais caros ainda e são vinhos que costumam evoluir com alguns anos de garrafa ( todos vinhos que citei acima são feitos para consumo rápido, portanto fuja de Sauvignon Blancs com mais de 2 anos. Vinhos que desejamos frescor e fruta devem ser consumidos jovens, pois essas características somem muito rápido).

Depois dessa “ viagem “ sobre os estilos de Sauvignon Blanc, aproveitem nosso caloroso verão, deixem a cervejinha de lado ao menos uma vez para experimentar algo novo e certamente apaixonante. Garanto que não vão se arrepender.

 

   

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